Doce Desejo
Quisera eu ser a natureza,
cheia de encantos, terna de pureza,
e, vagar só, como essa lua pura
por este céu tão cheio de caudura.
Ser como a estrela, que a sorrir me guia
no triste inferno da hipocrisia;
Iluminar minha doce amada,
morena tão linda que me foi roubada.
Quisera eu ser flor do caminho,
poder sentir de novo em meu carinho,
a mulher que deixou-me eternamente,
a suplicar numa oração descrente.
Minha alma assim, na solidão, perdida,
vive na estrada trágica da vida.
Tão solitária, e, quase morta, chora,
ao relembrar aquela ingrata aurora,
que escureceu a minha felicidade,
trazendo um louco pranto de saudade,
colocando a culpa nesse grande amor,
a derradeira prece e minha dor:
Faça de mim, nesta loucura, um mar,
para que eu possa, assim, sempre jogar
brancas espumas, no clamar em vão,
deste bracio mar do coração.
João A. Moraes
"E o amor deixou outro louco..."
M.



2 comentários:
lindo lindo @@
O amor é uma loucura; será que ainda existe alguém sensato em meio a nós?
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